12.17.2011

Esta ilusão de querer matar todas as gaivotas tem de acabar.
Elas não morrem, algumas suicidam-se, é certo, mas depois há sempre gaivotas bebés, como aquelas do cais do sodré, há muito tempo... nem devia lembrar-me destas coisas.
O conceito de gaivotas bebés é ridículo, mas toda esta situação é ridícula. (as cartas, todas as cartas, também o eram, supostamente)

Se não as consigo matar, fugir delas talvez seja o melhor. Terá sido por isso que fui tão feliz nas margens do Mississippi? Fugi, não para o habitual Big Sur, mas para o interior, onde não oiço gaivotas e os cucos ainda não chegaram. Serão dois dias de fuga suficientes para calar as gaivotas, já que não as consigo matar?

12.11.2011

Acho que hoje mataste a última gaivota.
E já não doeu.
Estava moribunda há muito,
tentava agarrar-se à vida que não era dela,
respirava nas entrelinhas,
enterrando-se mais e mais no estômago que a alimentava. (de há algum tempo)

(as coisas mudam, alteram-se, a história repete-se, hiperbolicamente, mas, de facto, as gaivotas já morreram, já não fazem sentido; é mais ou menos como um artigo que é rejeitado e revisto tantas vezes que, na última revisão já não é o que tinha sido criado por nós, o que tinha sido sentido, e já não acreditamos mais na sua aceitação, porém, a rejeição já certa deixou de fazer doer, porque o artigo já não somos nós)

11.14.2011

apetecia-me dizer tudo
usar as palavras feias e as bonitas
humilhar-me sem pensar que o fazia
apeteceia-me abraçar-te até os nossos ossos se partirem e se fundirem
apetecia-me que não houvesse amanhã
e o meu hoje fosse só aqui e agora contigo
apetecia-me fazer isto tudo à chuva.
apetecia-me dizer-te que te quero para sempre,
apetecia-me ter a certeza que não mentia,
se tu acreditasses, acho que eu acreditaria.
era isto que me apetecia.


o tempo não sara nada,
o tempo só faz com que as cicatrizes se tornem mais imperfeitas

11.04.2011

Catharsis

I've been writing in Portuguese just because I needed the catharsis that had been delayed for such a long time. The healing process started an year ago, but now I'm finally letting it go and I'm not mad at everyone anymore.
I know who I am again (well, I do know how to look for who I am, and that's enough for me). Sometimes all it takes is getting hurt in a different way, learning to get exposed again.

Esquizofrenia

Devias estar aqui comigo. Não o que és agora, mas quem foste. Era a nossa cidade, era a nossa canção. Quando tu eras tu e eu sabia quem eu era, quando descobriamos música nova todos os dias e achavamos que podia ser assim para sempre. Passavamos as tardes a pintar, a escrever, a tocar, a criar. E era como se viajassemos, como se conhecessemos o mundo. Devias estar aqui. Não estarás tu aqui?
Anos de medicamentos para ti, e anos de novas canções para mim. Passaram dez anos. Arrisquei sentir de novo, mas enganei-me. É impossível alguém ficar, tentar, arriscar. Só tu podias e querias e percebias. Sentir faz-me mal, magoa-me, devia ter continuado a esperar que tirassem o peso ao nome da doença.


uso a palavra que mais dói, não a usei durante todos estes anos